17 de abril de 2022

Asas de Liberdade



Ser livre é dormir sob as estrelas e saber guiar-se por elas. Tanto no sentido literal como figurado. Ser mestre do nada e de tudo. Aprender com a mesma vontade com que se ensina. Sorver cada raio de sol e cada gota de chuva com gratidão. É amar selvaticamente cada dia. 

Ouvir o cosmos e retribuir com o que dele se interpreta. Sejam ruídos fugazes transformados em música, sejam visões transformadas em expressão visual, sejam emoções transformadas em ações, sejam remurejares transformados em palavra, seja transformar matérias primas em uguentos vitais, seja viver a vida como o milagre que é a cada dia. É praticar o desapego do que é fugaz e não interessa e agarrar (com garras mesmo) tudo o que nos é querido e benfazejo. 
 
Ser livre é não conhecer limites. 
É não aceitar ter limites. 
Sejam quais forem. 

Ser livre é cumprir no mundo físico a liberdade do espírito. 
Tão somente isso. 
Quer se esteja preso a um corpo que não coopera, quer se viva em repressão (ou pseudo democracia), quer se esteja enclausurado por estruturas quotidianas das que cortam asas, quer se esteja em situações diversas, difíceis e de sofrimento.

O espírito é absoluta e eternamente livre. E nós fazemos parte dele e ele de nós. Qual é dúvida? 

Venha o primeiro sopro de vento. É só estender as asas, sejam elas de abelha, libelinha, pardal, águia ou arcanjo, e fazer acontecer.